Opinião: A Árvore Generosa, de Shel Silverstein

A Árvore Generosa
de Shel Silverstein
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 56
Editor: Bruaá Editora
Resumo:
Este livro é o mais conhecido do escritor e ilustrador norte-americano Shel Silverstein. O clássico, escrito em 1964, comoveu gerações com a história de uma árvore e um menino. Com poucas palavras, Silverstein fala da relação entre o homem e a natureza, onde uma árvore oferece tudo a um menino, que a deixa de lado ao crescer, ao mesmo tempo que se torna num homem egoísta. Mas para agradar ao menino que ama, a generosidade desta árvore não tem fim - ainda que isto signifique a sua própria destruição.
Duas fortes qualidades aliam-se neste livro. O facto de abordar questões fundamentais como o tempo, a morte, a vida, a relação amorosa e de amizade, tudo o que nos posiciona face aos outros e a nós próprios, assim como a aposta ao nível estético, na sobriedade narrativa e ilustrativa, com o traço simples e preciso de Silverstein.
Rating: 3/5
Comentário:
Em honra da semana dos Livros Banidos tinha decidido que iria ler um livro banido. O livro que tinha escolhido era Por Favor Não Matem a Cotovia, de Harper Li, no entanto devido a outros compromissos isso tornou-se impossível e acabei por dar por mim em busca de livros infantis.
Podem parecer um pouco ridículo, mas sinto sempre que nesta semana tenho de desafiar a "autoridade" e ler algo que supostamente estou banida de ler. Contudo quando o tempo aperta e nos caí um livro fininho nas mãos temos de que nos recordar do provérbio "a cavalo dado não se olha o dente" e por isso, sem me fazer de rogada peguei n"A Árvore Generosa" para ler.
Este é um livro que tem gerado muitas discussões entre os críticos e opiniões fortes tanto de quem ama como de quem odeia o livro. Pessoalmente depois de o ter lido percebi o porquê, a história é relativamente simples e tal como o resumo diz, gira em torno do amor que a árvore tem pelo menino, amor que acaba por a levar à sua própria destruição.
 Este é realmente um livros que nos faz questionar se a árvore é realmente generosa ou se simplesmente tem falta de amor próprio, porque generosidade não implica a nossa auto-destruição mas sim a partilha do que temos. A história relembrou-me por vezes a relação que certos pais tem com os seus filhos, quando lhes dão tudo o que eles pedem e os tornam mimados e egoístas.
Esse acaba também por ser um dos grandes contrastes do livro, o amor entre a árvore e o menino, que começa por ser alimentado por ambos os lados, e que acaba por ser apenas de um dos lados, neste caso da árvore. Apesar de ir crescendo o menino/rapaz/homem continua a pedir coisas à árvore sem por um segundo ponderar que a poderá estar a magoar, quase como se achasse que ela tem a obrigação de lhe agradar.
Em termos de grafismo o livro, pelo menos a versão que li, é a preto e branco e não tem muitos detalhes o que pode não cativar a atenção dos mais novos mas como a história também não é muito comprida os mais novos deverão conseguir manter a sua atenção na mesma. Mesmo assim, creio que o livro beneficiaria de alguma cor.
Feitas as contas é um livro que sem dúvida gerará uma troca de impressões, mesmo entre pais e filhos e que sem dúvida se torna relevante por isso mesmo. Este livro foi banido por "promover o egoísmo".

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