Opinião: O Jogo Final, de Orson Scott Card

O Jogo Final
de Orson Scott Card
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 296
Editor: Editorial Presença
Resumo:
O Jogo Final é uma obra soberba que tem como protagonista Ender Wiggin, um rapazinho de seis anos de idade em quem o governo da Terra deposita todas as esperanças. No espaço interplanetário, um exército extraterrestre de insectóides ameaça aniquilar para sempre a humanidade. Desesperados, os homens desenvolvem um programa de defesa que consiste no treino intensivo de crianças sobredotadas com vista a torná-las verdadeiros génios militares. Ender é um génio entre os génios, o único que pode garantir a sobrevivência da grande família humana. Mas será Ender suficientemente forte para se salvar a si próprio do precipício da loucura? Um livro empolgante, que nos fala da força e da fragilidade da condição humana. 

Rating: 3/5
Comentário:
Desde que me lembro que sou aficionada por ficção científica. Dos filmes de Star Wars a Júlio Verne e todos os livros da colecção Argonauta a que consegui deitar a mão, este género sempre me fascinou. Creio que é por isso que a nova vaga de YA com tendências distópicas me fascina. Para quem, como eu, ama YA e ficção cientifica, é sem dúvida o melhor de dois mundos. 
Apesar de o filme ter saído este ano, o livro O Jogo Final já está editado em Portugal há alguns anos. Na realidade, o livro Enders Game (no original) foi lançado em 1977, o que o torna mais velho do que eu por quase uma década. É sempre engraçado ver os avanços que os escritores imaginam possíveis (como por exemplo os serums na saga Divergente), e é ainda mais curioso ver como não estamos tão perto destes futuros imaginados como esperavam os seus autores.
Uma das coisas que mais me surpreendeu neste livro foi descobrir que efectivamente existe uma escrita masculina. Talvez seja estúpido dizer isto desta maneira mas a verdade é que até agora nunca em algum livro um livro lido por mim, o género do autor causou tanto impacto como em O Jogo Final. A verdade é que já li outros livros escritos por escritores do sexo masculino e nunca tinha sentido tão fortemente a testosterona através do estilo narratário. Esse choque foi o motivo que me fez ler este pequeno livro mais devagar.
Claro que tendo em conta o ano em que foi escrito e o género onde se insere, não o digo de forma negativa mas sim como a constatação de um facto.
Ender é, afinal, um rapaz com uma capacidade acima da média que acaba por vítima de bullying de todos os seus colegas, que se sentem intimidados pela "sua grandeza".
Sendo sincera, livros que retractam temas de bullying deixam-me inquieta. No caso deste livro, toda a saga de Ender para provar que é diferente do irmão, tornou-se para mim um pouco cansativa. Creio que ao fim de algum tempo comecei a perceber a raiva de Ender, porque tal como ele, estamos às escuras e sem perceber bem o que se está a passar. E a tortura que Ender sofre acaba por fazer ressonância com todas as vezes em que nos sentimos impotentes ou quando os nossos professores nos levaram à exaustão.
Uma das coisas que achei mais interessantes no livro foi o jogo com que Ender se entretém na sua secretária (uma versão pré-tablets), que vai tomando os contornos da sua personalidade e dos seus limites, ao mesmo tempo que permite aos seus professores perceber a sua personalidade e as suas capacidades.
Quanto ao final, revelou-se surpreendente e diferente do que estava à espera, mas simultaneamente fez sentido. Após pensar um bocado, os sinais estavam lá, e eu como leitora é que não lhes dei a importância devida. Revelou-se também muito mais filosófico do que estava à espera, e fez-me ver o livro numa perspectiva completamente diferente, tornando-o apelativo.
Feitas as contas, não me arrependo nada de o ter lido, foi uma experiência diferente que merece e tem a sua merecida base de fãs.

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