Opinião: Colecção Leviatã, de Scott Westerfeld

Leviatã
Leviatã
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 336
Editor: Vogais
Resumo:
É o início da I Guerra Mundial, mas num mundo alternativo de que nunca ouviste falar. Os Germânicos lutam com máquinas de ferro a vapor carregadas de armas. Os Britânicos lutam com bestas darwinistas resultantes do cruzamento de vários animais. Alek é um príncipe germânico em fuga. A única máquina de guerra que possui é um Marchador, com uma tripulação que lhe é leal. Deryn é do povo, uma britânica disfarçada de rapaz que se alista para lutar pela sua causa - enquanto tem de proteger o seu segredo a todo o custo. No decorrer da guerra, os caminhos de Alek e Deryn acabam por se cruzar a bordo do Leviatã, uma baleia-dirigível e o animal mais imponente das forças britânicas. São inimigos com tudo a perder, mas na verdade estão destinados a viver juntos uma aventura que vai mudar a vida de ambos para sempre



Leviatã 2: BestaLeviatã 2: Besta
de Scott Westerfeld
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
Behemoth é a besta mais feroz da Marinha britânica. Os Darwinistas precisam dele mais do que nunca, agora que estão em guerra declarada com os Clankers.
Alek e Deryn estão juntos a bordo do Leviatã, e esperam conseguir levar a guerra a um impasse. Mas, quando a sua missão de paz falha, percebem que estão sós em território inimigo e que estão a ser perseguidos

 Leviatã 3: GoliasLeviatã 3: Golias
de Scott Westerfeld

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 352
Editor: Vogais
Resumo:
O Leviatã é forçado a desviar-se do seu percurso para resgatar Nicola Tesla, o inventor do Golias, uma máquina capaz de destruir cidades, e que ele usa como trunfo para impor a paz. Quando é descoberto um plano secreto alemão para sabotar a máquina, este ameaça disparála. Este é o espetacular final da trilogia! Batalhas aéreas emocionantes numa viagem à volta do mundo echeada de perigos e... beijos ousados!

Rating: 4/5 (de toda a colecção)



Em Leviatã, Scott Westerfeld conseguiu redimir-se e conquistar-se finalmente. Desde que conheci as obras dele, temos tido uma relação algo complicada. Para mim, tem sido um autor que tem prometido uma enorme inovação, através da apresentação de mundos bastante apelativos que nos fazem querer conhecer mais sobre os mesmos, mas que no fim se revelam uma desilusão. Sempre senti faltava algo nas suas obras, talvez um certo condimento, uma estrutura que justificasse em igual medida a construção de um enredo rico e repleto.
Leviatã , sem sombra de dúvida, cortou com essa tendência. Em primeiro lugar, poderão consultar o trailer em cima, dado que está bastante bem concretizado e com uma animação que ou muito me engano ou é baseada no trabalho do ilustrador Keith Thompson, e que por sinal fez um óptimo trabalho ao longo do livro. Essa é uma das novidades: esta trilogia é acompanhada por uma série de ilustrações que retractam todos os momentos explosivos da narrativa, e que são tão realistas quanto bem executados, sendo um óptimo complemento para a narrativa. Por outro lado, eesta trilogia insere-se no género do streampunk, do qual já aqui falámos anteriormente. E se leram o nosso artigo certamente percebem ao ver este trailer o quanto a trama se insere no conceito, aproximando-se até às definições originais que o caracterizarem.

Mas continuemos. Afinal, qual é a temática destes três fantásticos livros? Bem, aconselho-os para quem gosta de História, mas não é um impedimento para quem não a aprecia assim tanto. O mundo de Deryn e Alek é uma realidade alternativa ao nosso e decorre na altura da I Guerra Mundial. Oriundos de países tradicionalmente propostos à inimizade (embora esta só seja declarada muito posteriormente ao iniciar da trama): um adepto da filosofia clanker (ligada à sabedoria das máquinas, do vapor, da mecânica rude) e outro defensor dos darwinistas (resultantes de jogos genéticos com animais e forma a desenvolver criaturas adaptáveis às necessidades humanas, numa aparição enquanto mecanismos vivos, mas que no fundo nem são uma coisa nem outra). É destas duas filosofias que vive o mundo, sendo que algumas nações aprenderam a tirar vantagem e ambas. É o caso dos Estados Unidos da América, por exemplo.

A piada de gostar de História resulta então do facto a apresentação de momentos históricos poder desviar-se para uma realidade alternativa por algo tão simples como um momento disparatado destas duas cabeças aluadas e de bom coração.

Os dois jovens irão ver-se envolvidos numa série de peripécias e precalços que os levarão em aventuras inimagináveis e os farão repensar sobre a sua pequena posição enquanto peões de um dilema mundial, na tomada de decisões acertadas que coloquem todos a salvo.

Deryn é uma rapariga que quer ser mais que um fantoche de saias. Adora voar e sente essa âmbição como parte da herança que o seu pai deixou. Mal sorte a sua que a entrada de mulheres para a força aérea é interdita e pode resultar em qualquer coisa muito má como a morte. Pelo menos é o que ela acha. Mas a rapariga tem uma mente sagaz e uma perspicácia que vence muitos, o que a ajudará sempre nas empreitadas em que se meter. É corajosa, forte e sensível, como todas as mulheres a sério são.

Já Alek é uma personagen que vem crescendo ao longo dos três livros. Começa por ser um rapaz um pouco inconsequente e algo irresponsável, muito concentrado no seu umbigo e que precisa de crescer. As situações porque passa, a responsabilidade que recai sobre as consequências das suas acções tornam-no mais ponderado. Ainda assim, e no meio os seus objectivos utópicos, procura o melhor para si e para os seus, querendo acima de tudo a paz.

É uma trilogia repleta de aventura, acção, descobertas e até algumas nuances de romance. Permite enveredarmos num universo que conhecemos mas que simultâneamente é totalmente diferente do nosso, com realidades que tanto nos aproximam como nos afastam. Deryn, Alek e todos os que os acompanham tornam esta narrativa divertida, fluída, espontânea e completa.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

0 leitores reagiram:

Que pensam Encruzilhad@s?