Mostrar mensagens com a etiqueta leitura científica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta leitura científica. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Opinião: Illuminae, de Anie Kaufman e Jay Kristoff



Illuminae - Os ficheiros Illuminae_01
de Amie Kaufman e Jay Kristoff
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 608
Editor: Nuvem de Tinta
  





Resumo:
Illuminae é diferente de todos os livros que alguma vez leste. Através de documentos pirateados, emails, mapas, arquivos militares, transcrições de interrogatórios e mensagens, vais descobrir que o pior dia da vida de Kadie é apenas o início da história mais trepidante e arrebatadora de sempre.





Rating: 4/5

Comentário: Não costumo gostar de livros que se passem ou lidem com a temática do espaço. Sempre achei a astronomia aliciante e apelativa mas toda a ficção em sua volta me desarmavam e aborreciam (sim, não aprecio Star Trek nem Star Wars...). Livros com o enredo descrito através de cartas ou emails nunca resultam para mim. Então porque é que esta foi uma das minhas melhores leituras do ano (subentendendo-se que foi das que mais apreciei)? Porque Amie e Jay pegaram em dois elementos que teriam tudo para não dar certo para mim e convenceram-me do contrário!
Confesso que estive sempre de pé atrás com Illuminae quando o vi sair no mundo literário internacional, independentemente das muitas e boas análises positivas com que me deparei, porque as minhas experiências com temáticas semelhantes não tinham sido muito felizes. Mas a sinopse em português valida que este é um livro diferente de todos os lidos até então e está coberta de razão.
Este livro é apresentado como um relatório compilado que foi requerido a alguém, que procurava respostas sobre determinados acontecimentos que se procederam no planeta natal dos nossos protagonistas e que tiveram repercussões durante os meses que se seguiram a bordo de algumas naves de salvamento. Essa compilação é variada, decorrendo de relatórios dos próprios técnicos encarregues desta compilação, da recolha de emails, registos informáticos do sistema interno destas naves, conversas em chatrooms, registos de câmaras de vigilância, entre outros elementos. Existem também diversas cenas de acção, que não sendo descritas ao pormenor, estão representadas por vários elementos gráficos. Todos estes elementos, anexos numa lógica de equilíbrio e enquadramento da estória, fizeram todo o sentido.
Na verdade, e para perceberem melhor aquilo que pretendo abordar, aqui ficam alguns exemplos:






Ao nível dos planos de acção, estes são diferenciados e devem ser todos referidos. Por um lado temos este relatório compilado, onde são colocados comentários de alguém externo, provavelmente o responsável pelo processo, e que nos vai relembrando que, embrenhados no enredo que vamos acompanhando, há muito mais para ser explorado do que temos visível.
Por outro lado, o drama destes dois adolescentes, ex-namorados mas ainda apaixonados, que se encontram separados por duas naves e vão comunicando entre uma e outra para dar alguma luz sobre o que se passa no outro lado. Este acabou por ser o elemento que menos apreciei, embora seja natural e quase que mandatório para quem escreve livros YA na actualidade. Não necessariamente por ter um romance, mas pela forma como o romance era de algum modo imposto em determinados momentos. Estando em perigo, é normal que os dois adolescentes de alguma coisa se apegassem ao que os unia e manifestassem saudades, ou até carinho mútuo. O que era totalmente inverosímil eram os constantes gracejos em momentos inoportunos, e aquele egocentrismo tipicamente adolescente que, ainda que não deixasse de existir porque sim, eles eram miúdos, com tanta desgraça a ocorrer-lhes e à sua volta, o desenvolvimento forçado de maturidade era um bocado  que necessário e nem sempre o presenciei. Claro que alguns destes momentos são justificados posteriormente, mas não o suficiente para garantir cobertura a todos eles.
Tanto um como outro tiveram ainda alguma exploração de personagem, felizmente, que lhes atribuiu novas camadas e mistérios para desvendar e resolver. 
Depois, temos ainda o plano da perseguição, do inimigo invisível mas conhecido, que os procura com o intuito de eliminar provas para um massacre profundamente planeado, e que tem como objectivo o contorno deste obstáculo em 3 naves excessivamente povoadas, danificadas pelo confronto anterior, e sem capacidade para corresponder a todas as necessidades, a não ser com recrutamentos forçados e muita displicina militar, entre outras.
Por fim, o agente patogénico mistério, que criou um ambiente que de alguma forma me relembrou Residence Evil em alguns momentos, perigoso, assassino, não contido e imprevisível e com uma enorme capacidade de criar suspense, acção e adrenalina constante.
De resto, este factor foi simultâneo a todos, menos ao plano de Observação: a acção desencadeia-se depressa, cada página acrescenta algo novo à narrativa, o leitor está constantemente ansioso por descobrir uma novidade, uma nova solução, e quando esta parece surgir ao fundo do túnel, deparamo-nos com um novo obstáculo. É impossível não ficarmos rendidos com as diferentes camadas que contribuem para este ritmo acelerado, letal, mutável e em constante movimento.
Por fim, o tipo de leitura segundo todos os meios que já vos mostrei acabou por criar uma experiência alucinante, completamente inovadora e de imersão quase que total que me valeu numa das leituras que mais prazer de meu este ano.
Sem revelar muito do enredo, não há muito mais que vos possa acrescentar senão: mas que final foi aquele????? O momento de tensão é garantido e a reviravolta (uma delas, porque a outra me era previsível) vai-me fazer ficar a ansiar pelo próximo livro da trilogia durante os próximos meses. Fica uma sugestão para este verão, divirtam-se com ela!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Rubrica: A Vida Imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot

A Vida Imortal de Henrietta Lacks
de Rebecca Skloot
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 416
Editor: Casa das Letras
Resumo:
O seu nome era Henrietta Lacks, mas os cientistas conhecem-na como HeLa. Era uma pobre assalariada numa plantação de tabaco, trabalhando a mesma terra do que os seus antepassados escravos. Mas as suas células - retiradas sem o seu conhecimento - tornaram-se numa das ferramentas mais importantes na Medicina: as primeiras células humanas «imortais» da ciência. Ainda estão vivas hoje, embora Henrietta tenha morrido há mais de sessenta anos. As células HeLa foram vitais para o desenvolvimento da vacina contra a poliomielite; contribuíram para os avanços médicos em relação ao cancro, aos vírus e aos efeitos da bomba atómica; ajudaram nas descobertas médicas importantes, como a fertilização in vitro, clonagem e mapeamento de genes; e, consequentemente, foram compradas e vendidas através de contratos multimilionários. No entanto, Henrietta Lacks permanece praticamente desconhecida.

Rating: 3,5/5

Comentário: 
HeLa. Uma pessoa comum, sem estudos na área da ciência, pouco saberá o que esta palavra significa mas esta talvez seja uma das maiores descobertas cientificas dos últimos anos.
A verdade é que ninguém pensa nas pessoas por detrás das descobertas cientificas, nos seus sentimentos e nos seus motivos. Afinal todos sabemos o que é a gravidade e como actua, mas porque estava Newton sentado debaixo de uma árvore? A teoria de Evolução é realmente fantástica mas porque embarcou Darwin numa expedição de 1 ano (se é que sabem que ele embarcou)?
Lembro-me de estar numa palestra sobre células cancerignas, a falar sobre a sua replicação e aplicações no dia de hoje quando a professora perguntou "se alguém sabia quem era Henrietta Larcks?".
Talvez seja embaraçoso confessar que numa turma de 400 alunos apenas um levantou a mão. Sem palavras,  sem dúvida devido ao choque, a professora desafiou-nos a ler o livro. Eu li. Percebi o porquê. E agora desafio a todas as pessoas a fazer o mesmo. Porque não é preciso ser cientista para ler sobre alguém que tanto fez pelo mundo. Este livro leva-nos a conhecer Henrietta Larcks e é só.
Rebecca Skloot muniu-se de perguntas e de uma vontade enorme de descobrir quem era Henrietta e conseguiu, ao longo das páginas deste livro, contar-nos a sua história como se a tivesse realmente conhecido, como se estivesse estado com ela. Para mim foi como ler um romance, uma história mágica e assustadora (um pouco como no cinema quando aparecem aquelas fatídicas letras que dizem "baseado numa história verídica") onde descobri quem foi Henrietta e o seu contributo para o mundo.
Sim, este livro leva-nos a conhecer Henrietta Larcks e é só. E no entanto, é ao mesmo tempo muito mais.



Gaby
Sobre a autora:

Companheira de aventuras de Hércules e conselheira da Taylor Swift, a Gaby divide o seu tempo entre ver filmes e ouvir música. De vez em quando lá pega num livro para ler, não porque não gosta mas porque finalmente achou algo que lhe interesse. É uma verdadeira groumet literária. Caso queiram saber mais sobre ela podem ver o seu tumblr aqui.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Opinião: Unwind, de Neal Shusterman

Unwind
de Neal Shusterman
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 352
Editor: SIMON & SCHUSTER, LTD
Resumo:
Connor, Risa, e Lev estão a fugir para se salvarem.

Nos EUA a Segunda Guerra Civil nasceu do desacordo das facções pró-vida e pró-escolha sobre o Direito à Vida. A solução arrepiante? A vida humana é inviolável desde o momento da sua concepção até aos treze anos de idade. Entre os treze e os dezoito anos no entanto, os pais de uma criança podem decidir "desmonta-la" (unwind), e todos os seus órgãos são transplantados para outras pessoas respeitando assim os desejos das famílias pró-vida, pois todas as partes da criança continuam a viver, e respeitando os desejos das família pró-escolha, pois os pais podem abortar a criança retroactivamente.

Connor é demasiado "selvagem" e os seus pais não o conseguem controlar. Risa, uma orfã ao cuidado do Estado, não vale o suficiente para este a manter viva. E Lev é um tithe, uma criança que foi concebida para ser "desmontada". Sozinhos não conseguirão escapar mas juntos tem a pequena hipótese de não só o conseguir mas como ainda de sobreviver.  



Rating: 5/5

Comentário:
Sou sincera livros com as palavras "brutal", "cru", "verdadeiro" estampadas nas capas são hoje em dia algo habitual e, se as tivesse visto na capa de Unwind não o acharia fora do comum. O que acho fora do comum é que o livro o seja e as palavras não estejam lá.
Quando a Stacey, uma crítica de YA britânica, me recomendou Unwind referiu que este tinha sido o melhor livro YA distópico que tinha lido este ano. Tendo em conta que ela gosta tanto de distopias como eu pensei que este livro estivesse ao nível de livros como Maze Runner, Crónicas de uma Serva e Os Jogos da Fome, mas não, Unwind vai mais longe.
Com uma acção quase continua, com um ou outro momento para recuperar o fôlego, Connor, Risa e Lev estão a fugir para se preservarem "montados", visto que a opção de continuarem vivos mas "desmontados" não lhes parece de todo apelativa. O desespero e a necessidade vão ligar estes três jovens e fazer nascer entre eles uma confiança que noutras situações não se afirmaria tão depressa.
A história acaba deste modo por desenvolver temas interessantes, apesar de uma maneira subjacente, como o "pensar antes de agir", "confiança", "amizade" e "direitos humanos". Este é o género de livro que gosto, porque além de termos uma história fantástica, temos uma história que nos faz pensar, que nos questiona e que nos deixa mais ricos por a lermos.
Um dos meus momentos favoritos envolve Connor a falar com um grupo de três rapazes no qual eles discutem o que é "ser desmontado", "se a alma existe" e as suas vidas. O autor tinha, dado a situação em que se encontravam, a possibilidade de fazer o mesmo com Risa, a personagem feminina, e talvez essa fosse uma escolha mais seguras porque as raparigas costumam ser mais propensas a falar. No entanto, o autor escolheu Connor, um risco que lhe valeu um momento diferente e uma prova de desenvolvimento psicológico da personagem.
Este é um livro que nos fala de uma sociedade onde todos se viraram contra nós, até mesmo a nossa família, uma sociedade que quer todas as partes do nosso corpo e que está disposta a tudo para as conseguir. É um verdadeiro thriller de "contra tudo e todos" que nos mantém colados desde a primeira página, onde conhecemos Connor, até à última.
Este foi também, até hoje, o único livro que me deu, fisicamente, vómitos. Perto do fim tive de parar várias vezes entre parágrafos e respirar fundo, distrair-me antes de continuar a ler, porque eu queria continuar a ler e simplesmente não conseguia porque me sentia doente.
Creio que o horror que se apoderou de mim se deve dever ao facto de que, por uma vez numa distopia, não é o governo que exige aos pais que "desmontem" os seus filhos, são os próprios pais que o decidem fazer, o governo apenas lhes dá essa opção. Depois de muitas distopias nas quais o governo impera e as pessoas estão subjugadas à sua vontade. Foi assustador achar uma sociedade onde por um lado temos pais que se esforçam para comprar órgãos para os seus filhos e por outro temos pais que assim que os filhos fazem treze anos os mandam "desmontar".
Unwind é um livro profundo que deixa muitas questões no ar: Será que a alma existe? Será que efectivamente os "desmontados" continuam vivos? O que acontece à alma dos "desmontados"? O que acontece às pessoas que recebem partes de outras? Será o "desmontamento" uma alternativa 'viável' ao aborto?
Um livro para pensar, uma das melhor distopias que já li e que recomendo vivamente para todos os amantes de distopias e livros de acção.  Este saí com o selo do Encruzilhadas.


  • Este livro ainda não está disponível em português;
  • Unwind é o primeiro de uma trilogia mas pode ler-se separado;
  • O segundo volume chama-se UnWolly e saiu este ano assim como a novella UnStrung.

domingo, 30 de setembro de 2012

Novidade: Antes do Futuro de Jay Asher e Carolyn Mackler


Antes do Futuro
de Jay Asher e Carolyn Mackler
Páginas: 320
Editora: Editorial Presença
Data de Publicação: 2 Outubro 2012

E se em 1996 pudesses ver o teu futuro no Facebook... Mudarias o presente?

Estamos em 1996. Quando Josh instala um CD-ROM que dá acesso a cem horas de internet gratuitas no computador de Emma, sua vizinha e melhor amiga, são ambos transportados para uma estranha página chamada Facebook onde veem versões de si mesmos quinze anos mais velhas. As suas relações, amigos, filhos, carreiras, férias... todas essas informações estão na internet e alteram-se consoante as decisões que eles tomam no dia a dia. À medida que tomam consciência do que a vida lhes reserva no futuro, Josh e Emma são obrigados a confrontar-se com o que estão a fazer certo e errado no presente...

Jay Asher é autor de Por Treze Razões, já publicado pela Presença, um livro que esteve durante mais de um ano na lista de bestsellers do New York Times, se encontra traduzido em mais de 30 países e vendeu mais de um milhão de exemplares só nos Estados Unidos.

Carolyn Mackler é uma autora premiada de diversos romances, entre eles The Earth, My Butt and Other Big Round Things. Encontra-se publicada em mais de quinze países. Carolyn Mackler foi distinguida com o prémio Printz Honor.

Podem ler um excerto do livro aqui no site da editora. Para verem o livro no site da editora podem clicar na capa do mesmo ou aqui.

Comentário disponível em breve!