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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Opinião: Ginástica Facial, de Sónia dos Santos



Ginástica Facial
de Sónia dos Santos
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 192
Editor: Manuscrito
  



Sinopse: 
O aspeto da pele do rosto, as rugas de expressão, os sinais de flacidez e envelhecimento, com os efeitos do sol e da poluição diária, são algumas das preocupações que temos com o nosso rosto. O primeiro impulso é comprar cremes, caros e pouco indicados para a nossa pele, que não surtem o efeito desejado. 

E se lhe dissermos que bastam dez minutos por dia para ginasticar o seu rosto e trabalhar todos os músculos da face de forma a conseguir uma pele mais luminosa, elástica e jovem?

Em Ginástica facial, Sónia dos Santos, especialista em estética avançada, traz-lhe 31 exercícios de ginástica facial que vão transformar o seu rosto. Exercícios simples e rápidos, para fazer em casa, sem gastar dinheiro e com efeitos visíveis em pouco tempo. Inclui ainda receitas de máscaras faciais naturais, massagens para o rosto e conselhos de nutrição para alimentar bem a sua pele.


Rating: 4/5
Comentário: Quanto a vocês não sei, mas desde que passei a fasquia dos 25 que passei a ouvir a os célebres comentários a propósito da pele. De como ela vai encontrar-se com o poder da gravidade no futuro, de como os hormonas irão alterar a sua flexibilidade e capacidade de regeneração, que deveria começar a aplicar alguns cremes anti-idade adequados à minha faixa etária para atenuar rugas ou traços de expressão, que inevitavelmente iriam surgir.
Nestas coisas, acho que a experiência alheia é boa conselheira, e aconselhei-me junto de quem sabe para que no futuro não ficasse a chorar sobre o leite derramado. Mas sentia sempre falta de uma intervenção mais activa, que os cremes não mostram e não aparentam, especialmente quando me deparava com a zona das bochechas e do pescoço. Por essas e por outras, quando vi o lançamento da Manuscrito em Junho passado, cheguei à conclusão que era mesmo de um guia destes de que andava à procura.
Se exercitamos o cérebro, os músculos das pernas, coxas e barriga, porque não os da face? Este é o mote da Sónia Santos para nos demonstrar que com pouco esforço mas persistência podemos cuidar de nós e de um dos órgãos mais importantes que temos: a pele.
Se dizem que os olhos são o espelho da alma, a pele é sem dúvida o espelho do nosso organismo muitas vezes. Se não acreditam, não bebam água suficiente durante uns dias e durmam poucas horas por noite, encham-se de açúcar e fiquem em salas de fumo e vejam o que ela vos conta no dia seguinte!
Em "Ginástica Facial", a autora apresenta um guia cuidado, sucinto, esclarecedor e fácil de acompanhar. Era inevitável começar um livro deste género e não abordar questões relacionadas com  a pele em si. Recorrendo a esquemas e explicações breves, a autora explica a estrutura e o funcionamento da pele, a influência de várias fases da nossa vida sobre o orgão e o que podemos fazer para proteger a pele o melhor que pudermos.
Achei este capítulo inicial importante e pertinente, não só numa lógica de transmissão de conhecimento, mas também de identificação das nossas mazelas e potenciais causas. Acima de tudo, permitiu também aproveitar os exercícios mais indicados para a situação que queria corrigir.
A explicação dos exercícios está feita de uma forma bastante intuitiva, e sai facilitada pela divisão dos mesmos por faixas etárias, representações esquemáticas que evidenciam os movimentos a adoptar e o uso de fotografias da própria autora a executá-las.
Estive a experimentar alguns exercícios nos últimos meses e posso dizer que: a) fazer caretas ganha toda uma nova dimensão; b) se algumas "expressões"/exercícios acabam por ser algo desconfortáveis pelo tempo solicitado para os executar, à semelhança dos glúteos, tudo se trabalha e acaba por se tornar mais fácil, c) aliado a uma correcta hidratação e tratamento da pele, sinto que este plano de exercícios tem aumentado a sua elasticidade.
Finalmente, a pergunta que todos querem saber: se irá ajudar a atenuar o aparecimento de rugas? A autora, formada e especialista em pele, diz que sim e é essa a intenção. Mas naturalmente não as fará desaparecer ou não aparecer de todo. De qualquer forma, ofereço-me para regressar daqui a 10 anos com comentários mais pertinentes sobre esta ginástica facial!

Aproveito também para partilhar uma entrevista da autora sobre o assunto aqui.
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Opinião: Segredos de Uma Alimentação Saudável, Michel Lallement





Segredos de Uma Alimentação Saudável
de Michel Lallement
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 256
Editor: Guerra & Paz


  



Sinopse: 
Agora sim! Um médico oncologista que nos ensina de forma simples, a prevenir e combater as doenças que mais nos afectam.
que têm em comum o cancro, o Alzheimer, a diabetes, a fibro­mialgia, a artrose, a osteoporose e a obesidade? Além de estarem a afectar cada vez mais pessoas, estas e outras doenças têm origem numa inflamação crónica das nossas células, cujas causas es­tão muitas vezes associadas ao consumo de alimentos tóxicos e a intolerâncias alimentares.
Em Segredos da Alimentação Saudável, o Dr. Michel Lallement, cirurgião oncológico,  explica e mostra-nos como funcionam na prática os mecanismos por meio dos quais intoxicamos o nosso organismo com uma alimentação inadequada e ensina-nos a escolher o que comemos, invertendo o caminho que nos pode levar ao encontro de algumas das piores doenças dos nossos dias. 

Rating: 3,5/5
Comentário: Acho que para falar sobre "Segredos de Uma Alimentação Saudável", terei de começar por abordar a experiência do autor enquanto profissional. Isto porque na atualidade proliferam livros sobre alimentação saudável, ou sustentável, ou para emagrecer, etc. No entanto, na medida em que este livro aborda a questão das doenças e a forma como estas duas temáticas se correlacionam, não estaria ao alcance de cada um criar um livro de referência sobre a temática.
"Confrontado durante duas décadas com o feroz aumento da incidência de cancro nos seus pacientes cada vez mais jovens, o Dr. Michel Lallement, cirurgião oncológico, dedicou muitos anos de trabalho e pesquisa para determinar o grau de influência dos factores nutricionais neste fenómeno. Desde 1991 envolvido no combate ao cancro, o Dr. Lallement propôs aos seus pacientes compilar toda a informação sobre os seus hábitos de alimentação, e foi com base nos resultados obtidos da análise desse dossiê, munido ao mesmo tempo dos mais recentes e avalizados estudos de outros médicos e investigadores desta área, que conseguiu chegar às impressionantes conclusões apresentadas em Comer Saúde, um êxito de vendas em França. Actualmente, o Dr. Lallement dedica-se à prevenção e acompanhamento terapêutico de doenças degenerativas. (Guerra & Paz)"É precisamente pela questão da inflamação e das inflamações crónicas que Michel Lallement começa este livro. Toda a parte introdutória do livro se dedica na abordagem ao processo inflamatório (o que é, potenciais causas e consequências, como é que a inflamação se relaciona com as doenças cancerígenas e qual o impacto da mesma na casualidade de progredirem para o aparecimento de cancros no futuro), sempre, claro, criando paralelos com a alimentação.
Evidenciando desde a primeira página que não pretende ser um livro de recomendação médica, mas de esclarecimento, o autor determina por diversas vezes a necessidade do leitor contactar outro colega de profissão em caso de necessidade.
É evidente que o livro foi pensado no mercado para o qual foi escrito, pelo que há diversas estatísticas que dizem respeito a França, mas é possível equacionar os valores correspondentes para o território nacional pelos artigos e reportagens que vão saindo sobre as temáticas abordadas de tempos a tempos.
Julgo que foi precisamente esta a abordagem que tornou a leitura mais fácil, mas também interessante e fresca, diferente do que tenho lido até então sobre as temáticas. Naturalmente abordas os alimentos e a alimentação pelo todo, focando-se mais nas propriedades e nas evidências científicas da aplicação de mais nutrientes ou proteínas provenientes de um leque da pirâmide alimentar em detrimento de outro.
Todo o discurso é realizado dentro da lógica do carácter consultivo e não dogmático, sem insistências, abordagens decisivas para que mudemos de vida ou geradores de culpa por falta de capacidade de correspondência. Acima de tudo, coloca disponível para o leitor o maior número de informação possível, seguindo os preceitos de que, no que respeita a médicos e a doenças, mas também aos livros o/a paciente é que sabe.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Opinião: As Curiosidades da História de Portugal no Arquivo do Ministério do Tempo



As Curiosidades da História de Portugal no Arquivo do 
Ministério do Tempo

 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 448
Editor: Manuscrito
  



Sinopse: 
Será que Viriato foi mesmo o primeiro grande herói de Portugal?
Conhece a história do rei que foi casado com duas mulheres?
Sabia que o infante D. Henrique, o Navegador, fundador da Escola de Sagres, pouco ou nada andou de barco?

Com base na série de ficção histórica da RTP que conquistou os portugueses - Ministério do Tempo -, As Curiosidades da História de Portugal no Arquivo do Ministério do Tempo reúne 64 episódios curiosos da História de Portugal. Partindo desde os tempos mais remotos, atravessando a Idade Média e a Idade Moderna, para chegar à época contemporânea, vamos reviver nestas páginas a nossa História pelo seu lado mais curioso, inusitado e divertido, pondo em causa alguns dos factos que os livros de História sempre nos deram como certos.

Na mesma época em que os marinheiros portugueses davam novos mundos ao mundo, D. João II ficou a conhecer o incrível segredo das Portas do Tempo. Para as gerir criou o Ministério do Tempo. E atribuiu-lhe uma única missão: garantir que ninguém viaja ao passado para alterar o presente. O Ministério do Tempo mantém-se aberto até aos nossos dias. É o grande segredo do Estado Português. A sua existência passa da boca de uns poucos eleitos para os ouvidos de outros. Apenas os melhores e mais úteis são chamados para trabalhar no Ministério do Tempo.

Rating: 4/5
Comentário: Não sei quanto a vocês, mas sempre fui uma enorme fã de História, desde miúda. O prazer de assistir a "O Ministério do Tempo" proveio precisamente do facto da série trazer de uma forma divertida, vários contextos de época que se introduziam na História de Portugal, sem correr o risco de efectivamente a contar e entrar em incongruências. A parte mais engraçada passou precisamente pela entrada de personagens históricas, que enlaçadas por um sentido de humor bastante inteligente, lançavam vários comentários que só o ouvido mais atento e algo conhecedor poderia entender na totalidade, sem estragar no entanto a visualização para o público vasto.
Nesse sentido, e porque sempre tive curiosidade sobre factos menos conhecidos da História de Portugal, quis muito ler este lançamento da Manuscrito.
Começo por dizer que da série do "Ministério do Tempo", só herda o título, pelo que os fãs da mesma que não forem acérrimos da História de Portugal podem não divertir-se por aí além. Julgo que, embora cumpra o seu propósito, já que o mesmo acaba por utilizar a referência à série, poderia ter um capítulo introdutório que incidisse mais na lógica da ficção, do género de um relatório de missão ou nem que fosse um apanhado que contextualizasse a série.
Seguidamente, confesso que me assustei com o primeiro capítulo, porque esperava algo mais leve e a linguagem pareceu-me demasiado enciclopédica para o que pretendia ser uma colectânea de episódios curiosos da História de Portugal.
Felizmente, essa situação compreendeu somente o capítulo inicial e permitiu-me desfrutar em pleno dos restantes do modo que esperava: uma redacção episódica, simples, fácil de acompanhar e com algum sentido de humor envolvido, nem que fosse pelo tipo de casos seleccionados.
O livro está organizado por ordem cronológica, acompanhando todos os períodos da História do nosso país até ao 25 de Abril, sendo que os casos seleccionados se inserem em narrativas menos conhecidas sobre a nossa História para cada um desses períodos.
Outra questão interessante, para além das pertinentes chamadas de atenção, passou pela apresentação de referências e datas-chave em quadros de chamada de atenção, que facilitam ainda situar os enredos narrados não só no plano nacional, mas também europeu.
Várias personalidades, já de todos conhecidas pela intervenção dos manuais escolares ganham assim uma nova cor, com destaque para situações menos exploradas ou de total desconhecimento da maioria das pessoas. A título de exemplo, poderão descobrir que Vasco da Gama não era santinho nenhum, que a expressão "Deus, Pátria e Família" pode não ser tão lusa como o esperado ou que o romance de D. Fernando com D. Leonor Teles podia não ser tão afogueado como nós pensamos. A tão fantástica polémica de D. Afonso Henriques e D. Teresa? Claro que não poderia faltar.
Os episódios são curiosos, interessantes, sucintos e capazes de captar a atenção do leitor, para além de virem relatados em capítulos breves.
Eu optei por vir descobrindo estes e outros momentos um de cada vez, para saborear em pleno cada novo momento descoberto. É um óptimo livro para relaxar ao final do dia e descansar a cabeça após um dia de trabalho. Fica a recomendação.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Opinião: Desenvolver pessoas Lean numa Organização de Serviços, de João Alves Moura




Desenvolver pessoas Lean numa Organização de Serviços
de João Alves de Moura

 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 188
Editor: Edições Ex Libris
  

Sinopse: 
Mais do que um mero exercício académico, o Modelo de Projeto de Implementação Lean que se preconiza assenta num “tempo” necessário para criar, numa empresa, condições que permitam ligar estreitamente Filosofia de Longo Prazo e Cultura Lean.
Utilizando as ferramentas de trabalho que a metodologia Lean propõe, suportada na aplicação de uma sistemática de resolução de problemas, a aplicação deste modelo assenta em lições aprendidas, que permitirão, à partida, um caminho mais fiável, mais alinhado e menos sujeito a erros.
A par da responsabilidade que a Gestão de Topo detém no sucesso da implementação de uma filosofia de melhoria contínua, assim, o sucesso deste Modelo assenta também no facto de se proporcionar às pessoas a desenvolver, uma aprendizagem para a interiorização de novos hábitos.

Comentário: Quem já nos segue há algum tempo, sabe que não tenho por hábito comentar livros técnicos, como o que vos apresento hoje. Mas a vida traz-nos acasos interessantes. Conheci o autor, João Moura, durante uma formação em Lisboa e acabámos por falar de hobbies e interesses pessoais, o que nos trouxe ao convite do autor para me dar a conhecer parte importante do seu trabalho, que passa precisamente pelo objectivo de desenvolver pessoas Lean em organizações Lean.
Sendo este um modelo de aplicação prática para quem já domina os conceitos, e sendo eu uma leiga no assunto, antes de me debruçar sobre ele necessitei de pesquisar um pouco para me integrar na temática (o meu conselho para edições futuras passa precisamente pela introdução de um capítulo exploratório breve, que embora não eduque a fundo, permita uma melhor contextualização do conteúdo que se segue).
A cultura Lean teve a sua origem no Japão pela mão da Toyota em meados de 1950, e autoria de Taiichi Ohno e Shigeo Shigeo. O sistema de produção adoptado foi inicialmente conhecido como "Toyota Production System". Cerca de 20 anos mais tarde, passou a ser adoptada por outros construtores automóveis japoneses e europeus (e posteriormente estendido a outras indústrias).

Na década de 80 passou a ser designada pelo nome pelo qual é hoje conhecida através da acção do investigador John Krafcik do MIT, envolvido num projecto internacional que seguia a abordagem à produção referida anteriormente. [Carvalho, J. 2010]
 Na prática, Lean corresponde a um conjunto de técnicas e metodologias de cultura empresarial que validem uma produção ao maior nível, com o mínimo de recursos possíveis, isto tendo sempre como foco as pessoas e o seu papel fundamental para o desenvolvimento de qualquer organização que se queira bem sucedida, inovadora, e sustentável.
Embora com vários anos de prática e reconhecimento no mundo industrial e empresarial, é certo que em Portugal não existam ainda muitas organizações a trabalhar sobre este fundamento. Certamente, alguns dos motivos prementes para que isso suceda passam pela falta de compromisso de todo o tecido (já que esta não é uma metodologia que possa ser adoptada por metades ou só parcialmente) e pela implicação de custos (tanto de tempo, dinheiro e recursos humanos) que exigem os primeiros anos para a sua aplicação eficaz (e que poderá dar origem a algum prejuízo inicial).
É precisamente sobre esta questão que se debruça João Moura, ao apresentar um plano a 3 anos para a aplicação de um sistema Lean eficiente e eficaz numa Organização de Serviços, tendo sempre, claro está, as pessoas por base.
Este livro é inevitavelmente um modelo de aplicação prática e de concretização de projecto. Com explicações passo por passo, indicações de constrangimentos que possam surgir em cada um, assim como exemplificações de como suplantar os constrangimentos são algumas das análises elaboradas pelo autor. Recorrendo a versões esquemáticas e resolutivas, o autor acompanhar o gestor de um processo Lean nas diversas etapas, preparando-o para os desafios e dotando-o de ferramentas para fazer face às mesmas.
Muitas vezes indicando estratégias ou abordagens metodológicas para o desenrolar do processo, o autor contempla-nos com um glossário de conceitos e intervenções bastante completo, explicando exercícios e recorrendo ao apoio visual para os tornar mais eficazes.
A ideia de que este processo não resulta sem o real envolvimento de cargos de chefia e gestão está assente desde a primeira página, assim como a necessidade de contemplar recursos humanos com a disponibilidade necessária para que se tornem agentes Lean e tenham a capacidade de monitorizar e acompanhar o processo junto dos seus colegas nas mais variadas esferas.
É um livro esclarecedor, de fácil acesso (após compreensão do conceito), visualmente apelativo e de fácil entendimento. Acima de tudo, um guia prático que poderá fazer a diferença.
Num sentido mais percursionista, só a sua aplicação prática poderá garantir que se adapta e corresponde às necessidades da realidade, o que a mim me suplanta de momento.
Ainda assim, foi um conceito que me foi caro descobrir, pelo que João Moura trouxe-me uma enorme fonte de conhecimento.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Review: Here We Are, by Kelly Jensen


Here We Are
by Kelly Jensen

Edition: 2017
Pages: 240
Publisher: Perseus Books Group, Running Press





Summary: Let’s get the feminist party started!

Here We Are is a scrapbook-style teen guide to understanding what it really means to be a feminist. It’s packed with essays, lists, poems, comics, and illustrations from a diverse range of voices, including TV, film, and pop-culture celebrities and public figures such as ballet dancer Michaela DePrince and her sister Mia, politician Wendy Davis, as well as popular YA authors like Nova Ren Suma, Malinda Lo, Brandy Colbert, Courtney Summers, and many more. Altogether, the book features more than forty-four pieces, with an eight-page insert of full-color illustrations.

Here We Are is a response to lively discussions about the true meaning of feminism on social media and across popular culture and is an invitation to one of the most important, life-changing, and exciting parties around.


Rating: 3/5

Review: 
I will start this review by saying that I received an online copy of this book through NetGalley in exchange of a honest review.

I will start by saying that I will not take any part in discussions about feminism here but as usual you are more than welcome to share your thoughts in the comments box if you want to. However I must say there isn't a better time to publish a book about this subject than nowadays. The truth is western society has been changing its paradigms since the middle of XX century and of course it reflects on how we face today's challenges when discussing gender equality. Girls and young ladies are being feed wirh many versions of what feminism is (or should be) today but sometimes the people and institutions feeding them forget the subject's core and what we should be talking about. Feminism is, for all the purposes, no matter how you represent or think about the movement, the search of equal rights to men and women. This is also how I see it and how my own vision reflected on this book.
Here We Are is a collection of essays from different sources to discuss what is feminism. Its target group are young people (even if there is a particular focus mainly on girls - which, from my perspective, mixes the message from the beginning) and it considers all the subjects and concerns about teenagers and youth development nowadays. 
I enjoyed the visual art and the structure created in order to make it specially appealing for young people who generally don't read non-fiction. I also appreciated the presence of essays written by men, even if the book was quite unbalanced and gave you more female writers. However one of the aims of this book is also to make girls around the world to know their inner voices matters, that what they think is valid and important and that they have a place in this world. Due to that I can understand the final decision to engage them by this strategy. Other gripping aspect was the presence of pop culture elements to help the readers see how much this subject is underlined in their lives, in so many different spheres we can't imagine it. So having lists of movies, song lyrics or TV shows (I don't want to lie but I have the idea I also saw one of these) which represent good feminist examples, showing they don't need to become different people or very engaged activists to stand up for themselves and protect their rights, is also something very enlightening.
I found very intelligent the divided structure to the various aspects, making it easier to dive in when different doubts arise. Even so, the last few essays lacked the cohesive structured presented on the first ones and seamed to be put together just to fill an empty space.  
As much I understand the need to create space and encourage the girls (and boys) to stand up for themselves, to have ideas, to discuss them and to look for better, equal and fair futures, I found that many essays focused on emancipation - which is one of the many pillars of the feminism but not the only one (which caused me some itchy feelings when reading the book) - stepping aside from other aspects. 
Another positive remark is the approach to the different stages of feminism in History and I think the descriptions will make young readers better prepared to deal with the challenges associated with the concept and the label itself. 
I would be lying if I didn't told you I have also learned a few things during this reading, like the concept of intersectionality feminism which - for me -  before reading this book and getting closer to the subject wasn't really a matter of discussion (not because it didn't matter but because I faced all the challenges presented to women on the same big package). I was forced to admit to myself that's because I don't fit in any other labels that pull someone to the middle of a big judgmental and fierce bowl of thoughts. 
Finally, I'm not American neither do care much about public personalities but I understand the importance of role models and therefore, having essays written by people who these teenagers are aspiring to turn alike in the future was important as it's a hint of hope and encouragement to become better citizens and more prepared to deal with their future challenges.



Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usualy find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Opinião: Os Inovadores, de Walter Isaacson



Os Inovadores, de Walter Isaacson

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 616
Editor: Porto Editora







Resumo: Quais as capacidades que permitiram a certos inventores e empreendedores transformar as suas ideias visionárias em realidade? O que provocou os seus saltos criativos? Por que razão alguns foram bem-sucedidos e outros fracassaram? Em Os Inovadores, Walter Isaacson dá resposta a estas questões, oferecendo-nos a mais completa história da revolução digital, uma narrativa fascinante acerca daqueles que criaram o computador e a Internet. Numa escrita empolgante e ágil, Isaacson organiza um roteiro minucioso que começa com Ada Lovelace, filha de Lord Byron e pioneira da programação na década de 1840, passa pela fundação do mítico Silicon Valley e segue até aos nossos dias, com Steve Jobs ou Bill Gates.

Explorando mais as personalidades desconcertantes destes génios do que as suas invenções, Os Inovadores é o guia indispensável para o modo como nasce a inovação e para se compreender o mundo digital que é hoje o nosso.

Rating: 4/5

Comentário: Para alguém nascido na década de 90, alguns registos evolucionários não me passaram despercebidos ao longo da adolescência. Resta lembrar as disquetes, os walkmans ou uma televisão com poucos canais para gravar a diferença. E acetatos! Há jovens que já nem saberão o que são e eu ainda passei pelo processo de preparar alguns para apresentações no secundário.
Estes pequenos registos que diferenciam em grande parte muitas das vivências tidas nos últimos 15 anos justificam o cenário rápido, acelerado, inconstante e constantemente mutável que representa a nossa sociedade contemporânea na qual a dita Revolução Digital tem a maior preponderância.
E foi esse o pretexto para mergulhar nesta colectânia de história científica trazida por Walter Isaacson. 
Trazendo-nos um apanhado dos séculos XIX e XX, o autor consegue reproduzir um conjunto de informação que contextualiza e enquadra cada pequeno momento de evolução científica, com as explicações devidas sobre o seu funcionamento e consequências para  processo evolutivo que conduziu à Revolução Digital, mas também com um notável detalhe para os apontamentos biográficos e para a análise multidisciplinar e complementar entre os vários momentos da História.
Desde a concepção e sonho de construção de máquinas automatizadas que conduziram aos primeiros computadores e às máquinas de calcular, ao movimento hacker (com uma conotação bem mais simpática e abrangente do que a comumente conhecida) e à importância dos contextos sociais e históricos, assim como políticos que despoletaram o aparecimento de vários momentos propensos à inovação, este livro acaba por ser uma colecção de momentos para leigos e curiosos que se  procuram informar sobre este segmento de transformação social e tecnológica que continuamos a atravessar.
As apropriações históricas não saem descontextualizadas e servem como bónus aos apontamentos de reflexão sobre a definição do que serão as mentes inovadoras e quais os seus modos de procedimento. É quase que uma abordagem sobre a tipologia de cultural laboral propensa ao aparecimento do espírito livre para criação e da cooperação colaborativa.
Julgo que a leitura deste volume poderá ser realizada segundo duas vertentes, uma mais ligeira e de entretenhimento puro e outra direcionada para o prazer das instrução. O meu processo acabou por pender pelos dois movimentos, pelo que acabou por ser um livro que vim a deliciar aos poucos, especialmente nos capítulos iniciais onde a inserção de conceitos de engenharia, química e eletromecânica, ainda que bem explicados, me exigiram algum tempo de assimilação por querer de facto compreendê-los (e que acabaram por me suscitar momentos de pesquisa extra) para acompanhar com maior presença todo o processo evolutivo.
Enquanto contexto histórico, gostei de acompanhar e conhecer alguns momentos cuja segmentação me era desconhecida. Ressalvo a formação da estrutura de transformação económica e tecnológica de Silicon Valley, o processo de construção colaborativa da rede que esteve por base da Internet, ou a importância dos movimentos anti governamentais e pacifistas (acompanhados do LSD) que tornaram propenso o aparecimento do computador pessoal tal como o conhecemos hoje. E ainda, porque não referir, o papel fundamental que as mulheres representaram no aparecimento e evolução do software, tido como de menor importância em tempos idos (e que injustiças se cometeram perante alguns nomes sonantes nestas áreas).
Quanto aos momentos biográficos, julgo que quase todos tiveram um factor comum, especialmente ao nível de escolaridade dos progenitores destes revolucionários digitais, mas também de uma série de factores de personalidade comuns que relembram e emancipam o leitor para o mote mais simples para dar origem a um momento evolutivo, seja qual for: nunca parar, e acreditar que o impossível é concretizável.
A um nível mais pessoal, uma vez que a maioria dos nomes dos intervenientes me eram desconhecidos, acabei por tirar um prazer maior na leitura sobre aqueles que não me eram estranhos e através dos quais pude ver revelados mais aspectos sobre si que até então me eram estranhos. Julgo que de todos, o que mais me surpreendeu foi o Bill Gates, provavelmente por nunca me ter debruçado ou interessado pela personalidade para além do que é geralmente conhecido sobre o empresário.  Não obstante, todos os outros me trouxeram vários apontamentos biográficos que os tornaram menos nomes e mais pessoas aos olhos analíticos da História.
Há ainda que referir que o livro, ainda que bem segmentado por "processos evolutivos", atendendo ao que estava em análise em cada capítulo, se preocupa em criar pontes de uns para outros, de modo a que o leitor subentenda que embora explicador segundo um padrão evolutivo, muitos destes passos foram dados em simultâneo, com o cruzamento dos diversos intervenientes em diversas "realidades".
É sem dúvida um livro abrangente, completo para o que se propõe e com uma atenção ao detalhe (vista também pelo cuidado em evidenciar quais as fontes utilizadas para suportar várias afirmações e constatações) que se esforça por acompanhar todas as esferas do processo evolutivo da revolução industrial, sem esquecer a cronologia história e a sua contextualização social, que retiram estes processos do vazio e os inserem em momentos conclusivos e de real proporção.
Uma a não perder!
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Opinião: Furiosamente Feliz, de Jenny Lawson

 
Furiosamente Feliz
de Jenny Lawson
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 320
Editor: Marcador
  




Resumo:
Furiosamente Feliz é sobre agarrar os momentos em que as coisas estão bem e transformá-los em momentos fantásticos, porque esses instantes são aqueles que nos fazem ser quem somos e nos levam para a batalha que travamos connosco sempre que o nosso cérebro declara guerra à nossa existência. Essa é a diferença entre «sobreviver à vida», e «viver a vida». Essa é a diferença entre estar «são» e estar «furiosamente feliz».

«Irá desatar à gargalhada, esboçar um ligeiro sorriso, contorcer-se com algum desconforto, chorar e, finalmente, desatar novamente a rir.»
BRENÉ BROWN, PH.D., LMSW, autora do #1 Bestseller do The New York Times, A Força da Coragem


Rating: 4/5

Comentário: Junho foi um mês de poucas, mas de óptimas leituras, em parte devido a Jenny Lawson. 
Não tenho por hábito ler autobiografias ou ensaios autobiográficos, mas Furiosamente Feliz foi daqueles livros que de tão falados acabou por despertar a minha atenção. 
Este é mais do que um livro sobre doenças mentais ou de superação, é uma colectânea de peripécias na vida de alguém que não nega as condições de saúde que lhe assistem, como quem não pode negar um pedaço de si, mas que também não as torna na sua história, como se só isso importasse. Este é um aspecto digno de coragem a ressalvar, e Jenny demonstra-o sem pudor ou pretensionismo. 
De facto, os ataques de ansiedade, as tendências para a auto-mutilação, as crises depressivas e uma certa neurose estão sempre lá, e são também as potenciadoras de novas peripécias. Mas não brilham ao ponto de roubar a voz a Jenny, que é muito presente, vívida e provocadora. E esse é um dos aspectos que tornam este livro mais merecedor de atenção.
Jenny é sem dúvida um ser humano que não tem medo de desvendar a sua complexidade, que adopta o inusitado e o fora do comum como causa e segunda pele, e que arrasta consigo família e amigos. Ela poderia até ser aquela amiga "maluca" que se mete sempre em confusões e sem a qual não conseguem viver nem acompanhar ou "aguentar" por muito tempo seguido. Porque ela é completamente louca, e não me refiro ao seu estado clínico! Desde uma apetecência para interromper o marido em situações indevidas a deixar qualquer pessoa com que se cruze numa pilha de nervos devido a respostas improváveis e descontextualizadas, esta é a Jenny. E é também um dos pontos fortes do livro.
Através de uma colecção de ensaios independentes e pouco articulados (o que acaba por ser um ponto contra o livro, uma vez que se salta de assunto para assunto com uma rapidez estrondosa) conseguimos ter acesso a um vislumbre da sua vida, da sua relação familiar, da forma como o amor e a compreensão andam de mãos dadas mas se manifestam de formas diferenciadas e nem por isso menos importantes. É também uma abordagem honesta sobre o que é viver com doenças mentais ou com alguém que as detenha, sendo também uma chamada de atenção para um elemento bastante básico: cada ser humano é diferente e cada doença, mesmo que igualmente diagnosticada, será diferente de pessoa para pessoa. Por esse motivo, acaba por ser uma leitura recomendada para quem está a passar por algo semelhante ou por quem rodeia alguém nas mesmas situações, mas também com uma forma para acabar com respostas pouco empáticas e compreensivas por quem por vezes não entende que uma doença mental não difere de uma doença física senão nos sintomas e nas consequências: é real e deve ser abordada como tal. Num dos ensaios presentes neste livro, Jenny aborda esta mesma temática, fazendo a comparação entre um doente oncológico, demonstrando que em caso remissão da doença, a movimentação geral em volta dessa pessoa é de festejo e parabenização, em oposição a um doente com depressão, a quem nunca ninguém dedica o mesmo tempo ou sistema de celebração em caso de vencimento da doença. Quem já tiver convivido de perto, seja por ter passado pelos processos ou porque conhece quem os vive, certamente compreende o que ela enuncia com uma enorme clareza. Acaba portanto por ser também um livro de esclarecimento sem se tornar pregador, castigador ou desconfortável para o leitor; passando mais por uma amigável chamada de atenção para uma situação que é real e muitas vezes negligenciada.
Confesso que por vezes a falta de articulação entre ensaios já anteriormente descrita e a colocação de alguns para o final do livro que me pareceram isentos de sentido acabaram por estragar em parte um pouco a leitura já que desequilibrou a narrativa.  Ainda assim, não foi suficiente para quebrar o enlevo criado pelo livro no geral, servido só de apontamento de referência para futuros livros da autora.
Passando para a parte que ditou o nome a este livro, o movimento Furiosamente Feliz, ele está sempre presente: nas histórias mirabolantes contadas pela autora, no estilo cadenciado e jocoso da autora, na demonstração de que não, não somos sempre felizes, mas que por vezes podemos ser e devemos tentá-lo. E que esse é também um exercício que como todos os projetos dignos desse nome, necessita de ser repetido e exercitado até se tornar mecânico.
De algumas opiniões que fui posteriormente à minha leitura, a autora é por vezes considerada forçada nas suas tentativas de fazer rir o leitor, afirmações com as quais discordo. Não porque não estejam lá presentes essas expressões mais ditas forçadas, mas porque elas estão a ser escritas essencialmente da Jenny para a Jenny. Esse exercício de fingimento existe especialmente para si, numa tentativa de agarrar-se a um estado furiosamente feliz, uma vez que se uma situação for assim tão extraordinária e com uma resposta perspicaz mas também sagaz e bem-humorada, então esse é um sinal de que a autora prossegue num bom caminho, num que a mantém afastada dos seus núcleos negros.
Mas é também natural em muitas ocasiões, que tiveram o condão de me colocar a sorrir e a abanar a cabeça para esta mulher muitas vezes destrambelhada a quem só apetece dar um abraço quando a vemos perdida num mundo de divagações que comprovam que ela não é deste mundo, é do seu mundo. E é um mundo bonito, que gostei de conhecer. Muitas vezes dei por mim com um sorriso no rosto e dei algumas pequenas gargalhadas com ela, o que comprova que esta é definitivamente uma leitura que vale a pena.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Opinião: O Sexo ao Longo dos Tempos: Debaixo dos Lençóis da História Universal, de Karen Dolby

 O Sexo ao Longo dos Tempos: Debaixo dos Lençóis da História Universal 
de Karen Dolby

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 224
Editora: 20|20

Resumo:
Reis, rainhas, papas, imperadores, presidentes, santos e filósofos, todos farão a sua aparição neste relato fascinante e surpreendente da história do sexo.
Há quarenta mil anos, o homem pré-histórico lutava para sobreviver à Idade do Gelo e vivia em cavernas. Enquanto travava uma batalha pela sua vida, ainda conseguiu arranjar tempo para esculpir figuras voluptuosas para nenhum outro fim que não o seu próprio prazer.
Mas nem só os homens e as suas artimanhas sexuais fizeram história. Sabe-se que Messalina, mulher do Imperador romano Cláudio, chegou a gerir um bordel onde a própria trabalhava usando um nome falso.
O sexo foi sempre uma parte importante da vida do ser humano em todos os níveis da sociedade.
Contudo, a atitude em relação ao sexo mudou radicalmente depois de Santo Agostinho e do seu conceito de «pecado original». O seu novo conjunto de regras rígidas, considerando o sexo aceitável apenas dentro do casamento, abriu as portas à «culpa»? e a mil formas de nos divertirmos com ela.
Porque na verdade todos temos «aquilo» no pensamento a toda a hora.
Em O Sexo ao Longo dos Tempos, Karen Dolby leva-nos numa viagem divertida e maliciosa pelos episódios mais sombrios e perversos do sexo no decurso da História. Irá encontrar uma imensa variedade de figuras bem conhecidas, da Antiguidade ao século XX, em peripécias da vida real que farão corar mesmo os mais atrevidos.
Divertido e por vezes alucinante, este livro esclarecedor irá mudar a sua visão sobre a história do sexo ao longo dos tempos.

Rating: 4/5 

Opinião: Sempre gostei de História e "perdi" (ou ganhei) muitas tardes da minha infância/adolescência em volta de enciclopédias e livros, documentários e filmes  que abordagem algum aspecto histórico, desde as sociedades clássicas até à atualidade. Quando descobri a publicação deste livro pela Editora 20|20 fiquei curiosa. Não é já tabu a abordagem da sexualidade nas diferentes sociedades, mas de facto não conheço muitas compilações que abordem a evolução histórica da tomada de consciência do sexo como um dos pilares da sociedade.
Não é um livro de profunda investigação, ainda que tenham sido consultadas e consideradas várias fontes bibliográficas, servindo mais para informar e dar umas nuances do papel da sexualidade desde tempos primórdios até à atualidade, especialmente avaliando as avaliações e transformações ao longo do tempos. 
O livro centra-se essencialmente na Europa, pelo que poderia ter explorado mais aprofundadamente outras culturas para o mesmo período temporal. Acho também que se deu um grande enfoque em Inglaterra e França, o que gerou um certo desequilíbrio na análise geral enquanto História Universal. Ainda assim, foi um esforço bem conseguido quanto ao prestar esclarecimentos sobre factos que me eram desconhecidos, com um certo potencial de entretenimento e de aprendizagem. 
Devo dizer que por vezes não houve um grande balanço também entre momentos de explicação e descrições biográficas de personagens que por muito que elucidassem o que tinha sido explicado até então sobre determinados assuntos apareciam de enfiada.
Ainda assim, gostei bastante deste livro, acho que cumpre os requisitos a que se propõe, expondo momentos caricatos da história da Humanidade e descrevendo várias questões da vida prática das várias sociedades com pormenores interessantes, descrições contextualizadas e vários momentos descritivos. No que respeita a Londres, o facto de ter visitado recentemente a cidade facilitou a construção de uma visão mental dos locais de outra época utilizados para diferentes propósitos da actualidade. Desde as zonas mais "decadentes" conhecidas como locais de prostituição de rua, aos bordéis e pubs mais duvidosos de Convent Garden, assim como as indiscrições de políticos e homens e mulheres da aristocracia em vários parques da cidade. Outras questões interessantes como a hierarquia do mercado do sexo, a homossexualidade (com descrições de algumas relações conhecidas, apesar da ilegalidade desta orientação sexual), o papel das amantes dos reis na definição de estratégias geopolíticas assim como a história de mulheres mais banais (como a ama que se tornou secretamente rainha, ou a limpa-chaminés que viveu um casamento de 20 anos em segredo) tornaram o livro bastante rico em pormenores, descrições e explicações de caricaturas de uma realidade que passa despercebida nos livros convencionais da História Universal, mas que saem valorizados e destacados nesta recolha factual de Karen Dolby. No final, diria que este livro serve como abertura de apetite à curiosidade para quem se interessar pelo tema e quiser aprofundar conhecimentos.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.